Pular para o conteúdo principal

A Muralha de Asgard


Por um bom tempo os Deuses viveram entre os mortais até que Odin tivesse a ideia de fazer uma morada, para observar os acontecimentos de Midgard e os outros mundos com mais amplitude, para não serem incomodados tão facilmente pelos desejos mundanos e, principalmente, para se protegerem dos ataques de seus inimigos, os gigantes.

Asgard, a morada celestial dos Deuses foi construída, mas se depararam com um enorme problema, na pressa de sua construção, esqueceram do mais importante, uma sólida e resistente muralha para os proteger de um eventual ataque de seus inimigos.

Estavam Odin e Loki, conversando com alguns Deuses, dentre eles Tyr e Heimdall, quando eis que passava um forasteiro que admirou-se com a beleza e a arquitetura da divina cidade e fez uma observação, que ali faltava um muro forte o suficiente para os proteger de inimigos. O que deixou Odin e os demais Deuses constrangidos, tendo que admitir essa “pequena” falha.

O forasteiro disse ser o mais hábil construtor do mundo, e um sorriso de satisfação iluminou a barba ruiva de Odin. Terminaria a muralha em um ano e meio, tudo parecia bom demais para ser verdade, entretanto um hábil construtor não pediria pouco, pediu nada menos que a mão da bela Idun em casamento, a Deusa da juventude que cuidava do pomar que brotava as maçãs das quais os Deuses permaneciam sempre jovens e saudáveis.

Tyr o mandou desaparecer, Heimdall assoprou fortemente sua trompa no ouvido do construtor, todos iam dando as costas quando Loki propôs que o trato estaria feito se completasse essa tarefa em seis meses. O que deixou os deuses preocupados, mas segundo a lógica de Loki, ele jamais terminaria em seis meses e o serviço sairia de graça. Todos concordaram e se animaram exceto Idun que era consumida por um sentimento de aflição.

O construtor não perdeu tempo, saltou do cavalo Svadilfair e começou a trabalhar bem disposto, o que deixou os Deuses preocupados, exceto Loki, empolgação do primeiro dia. Mas o ritmo não diminuiu no segundo dia, só aumentou, e no fim do primeiro mês já havia um bom pedaço concluído, deixando Odin de cabelos em pé.

Odin bradou no ouvido de Loki, culpado por tal ideia absurda, pois poderia ser o construtor um gigante disfarçado. O tempo passou, faltavam cinco dias e um trecho para que o serviço terminasse. Odin convocou os Deuses ao soar da trompa de Heimdall, ordenou que Loki desse um jeito de consertar sua ideia infame.

Loki adentrou-se numa floresta e retornou de lá transformado numa belíssima égua branca. Postou-se a frente do cavalo do construtor e começou a relinchar melodiosamente, despertando um desejo apaixonante em Svadilfair e o cavalo seguiu a égua floresta adentro.

Depois de uma breve reflexão, o construtor farejou dedo de Loki naquilo, vendo que não terminaria a tempo sem seu cavalo, reassumiu sua forma natural que era nada menos que um gigante.

Odin estava com a razão e, assistia a tudo, assim se sentia desobrigado de seu acordo e chamou seu filho Thor e ordenou que usasse seu martelo Miollnir para acabar com o gigante que, naquele momento empilhava freneticamente imensos pedregulhos para terminar sua tarefa a tempo.

Thor apareceu, e antes que o gigante pudesse colocar a pedra sobre o último vão do muro, o martelo foi arremessado e sua cabeça esmigalhada, recebendo assim seu “pagamento” e o restante do corpo foi jogado nos gelos eternos de Niflheim.

Tudo tinha acabado bem, mas Loki havia desaparecido. Por tempos não se ouviu falar em Loki, até que um belo dia, ressurgiu, trazendo um prodigioso cavalo negro de oito patas, o qual interessou bastante à Odin. Se tratava de Sleipnir, o cavalo mais veloz do mundo, filho de Loki, que havia parido de sua união com Svadilfair enquanto estava na forma de uma égua.

Loki já era pai de um lobo e de uma serpente, e agora de um cavalo, percebendo a fascinação de Odin pelo prodigioso animal, presenteou-o a fim de que o poderoso Deus se esquecesse de suas trapalhadas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Lenda de Cailleach, a Velha do Inverno

“Escutem, viajantes... quando o vento sopra do norte e a geada se deita sobre os telhados, não é o frio que chega primeiro — é Ela. A Velha do Inverno desperta de seu sono de pedra, e o mundo volta a se curvar diante do tempo.” Entre as montanhas enevoadas da Escócia e as terras antigas da Irlanda, ecoa o nome de uma deusa esquecida pelos homens, mas lembrada pela terra: Cailleach, a Velha do Inverno. Dizem que ela nasceu quando o primeiro trovão ressoou sobre o mundo, moldada do gelo e da rocha. De cabelos brancos como a neve e olhos azuis como o céu de dezembro, Cailleach é a senhora do frio e do tempo, guardiã dos ciclos que fazem a vida florescer e murchar. Com um martelo de pedra em mãos, moldou montanhas, cavou vales e abriu fendas nas rochas. Cada golpe seu fazia o vento soprar e as tempestades nascerem. Mas seu poder não é de destruição — é de renovação. Ela encerra o verão para que o novo possa nascer, apaga o fogo para que outro seja aceso. Há quem diga que Cailleach é o espe...

O Mito de Prometeu

O Titã que Roubou o Fogo dos Deuses Nas montanhas silenciosas da antiga Tessália, o vento sopra como se ainda trouxesse o sussurro de um nome esquecido: Prometeu, o que prevê, o que ousou. Antes do homem, o mundo era um palco frio, iluminado apenas pelos caprichos dos deuses. As criaturas humanas rastejavam na sombra, presas à ignorância e ao medo, incapazes de dominar a natureza que as cercava. E foi então que o Titã, movido não pela rebeldia, mas pela compaixão, desceu do Olimpo e roubou o fogo sagrado de Hélio, escondendo-o dentro de um frágil caule de funcho. A chama que ele entregou aos homens era mais do que calor — era consciência. O fogo de Prometeu iluminou o raciocínio, acendeu o engenho, e com ele nasceu o primeiro lampejo do saber. Mas o dom trouxe também a inquietude: o poder de criar, de sonhar… e de destruir. Zeus, irado com tamanha insolência, ordenou que Prometeu fosse acorrentado ao monte Cáucaso, onde uma águia devoraria seu fígado todos os dias — e todas as noites e...

Filme - A Lenda (1985)

 “Entre luz e trevas, o coração humano decide o destino do mundo.” No coração de uma floresta antiga, onde o orvalho é mais puro que o tempo e o silêncio é cheio de vozes antigas, habita o espírito de A Lenda. Dirigido por Ridley Scott, o filme é uma fábula sombria e onírica — um daqueles raros portais que se abrem apenas aos que ainda acreditam em fadas, demônios e florestas encantadas. Jack (Tom Cruise, em um de seus primeiros papéis) é o jovem guardião da inocência, protetor dos últimos unicórnios — criaturas que mantêm a luz viva no mundo. Quando o Senhor das Trevas (Tim Curry, em uma das mais magníficas personificações do mal já vistas no cinema) trama o desaparecimento desses seres, o equilíbrio entre dia e noite se rompe, e o mundo mergulha em um inverno eterno. Mas A Lenda não é apenas uma história de heróis e monstros. É uma meditação sobre a pureza e a sombra dentro de cada um de nós. A jornada de Jack é a jornada da alma humana: o confronto inevitável com aquilo que teme...