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A Mata Negra

 


Só haverá desgraça nessa terra, a garota maldita deve deixar seu lar e aquele que a criou, um velho que conhece remédios para tudo quanto é mal nessa vida, exceto para a velhice.

Um estanho moribundo a beira da morte faz um último pedido em vida para a garota, pois sabe que irá para o inferno e que merece isso, mas está com medo. A aparição da jovem ali só pode ser um sinal, ele carrega um saco de moedas de ouro e o livro perdido de Cipriano cujo interior contem manuscritos que conferem grandes poderes a quem os possuir e proclamar suas páginas. Uma missa deve ser lida toda a noite, até o nascer do sol, só assim a alma desse estranho será salva.

O último desejo de um homem foi atendido, após rezar por horas durante a noite o livro deve ser queimado e nada mais deverá ser lido, muitas coisas surgiram, mas não há o que temer, desde que a reza seja feita dentro do círculo, ao amanhecer tudo estará acabado. Sendo assim a garota poderá desfrutar do ouro que lhe foi dado.

Pelo poder concedido por Amon, pelos deuses que morreram, pelos pequenos esquecidos, pelos homens e seus subalternos. Verás arestas para imprimir o caminho do morto para o descanso, onde a barca e o barqueiro o guardarão. Da lua ao sol, da noite ao dia, da sombra ao céu. Das figuras de anjos enfileirados contra o criador para os contra formação. Conjurarás o Serafim, o vingador.

Toda magia tem seu preço, palavras tem poder. A morte de seu velho pai é apenas uma amostra da desgraça que esse livro traz, nenhuma pronunciação de suas páginas trará conforto, nada lhe trará paz, nem mesmo o amor que lhe foi tirado a força. O sangue é a chave, o sangue abre a porta entre os mundos da vida, a carne e o sonhos. Traz a morte assim como a afasta, é dissociada de sua fome eterna pelo instante de uma vida e, como a criadora do não criado, como a conjuradora de seres exclusos, reivindica o seu pedido por direito, que a vida volte ao corpo do seu amado.




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