Pular para o conteúdo principal

O Servo de Thor


Devido a uma sede de disputa, Thor decidiu ir até as terras dos gigantes para desafiá-los. Junto com ele levou Loki, o mais astuto dos Deuses. Preparou sua carruagem puxada por dois vigorosos bodes e seguiu viagem.

Mais adiante, após percorrer um longo caminho, um dia de viagem, avistaram uma casa de gente pobre e humilde, resolveram fazer uma pausa para um descanso, era a única casa que havia por ali. Thor pedia alojamento por uma noite, famintos, sentaram-se à mesa e foram servidos com duas nozes e um pedaço rançoso de queijo.

Aquela refeição jamais saciaria a fome de dois Deuses famintos e cansados depois de um dia de viagem. Seu anfitrião se desculpou, apesar de que não tinha culpa de nada, já que a pobreza não lhes permitia fartura. Juntamente com o dono da casa estavam a esposa e seu filho, e esta era a sua família. Thor dirigiu-se ao garoto e disse-lhe que fosse lá fora buscar os bodes de sua carruagem.

Com os dois animais dentro da pequena sala, Thor ordenou que o casal os matassem e fizessem uma bela caldeira, mas o velho temeu que isso pudesse enfurecer o poderoso Deus. O que acabou enfurecendo mesmo foram eles terem recusado. Assim, Thor bradou que Loki deveria se encarregar do jantar.

Logo a comida estava servida e os Deuses comiam com muito prazer, mas o garoto e seus pais olhavam angustiados com medo de cometer algum sacrilégio. Thor explicou que, ao terminar, basta colocar os ossos em suas respectivas peles novamente e os bodes voltariam à vida ao alvorecer. Assim, eles se alegraram e comeram também.

Loki como de costume, sempre aprontando algo, diz ao garoto que a melhor parte é o tutano e sugere que ele morda o osso. Com tamanha fome, já que não havia sobrado muito, apenas ossos, seguiu o conselho.

Durante a noite, os Deuses dormiam num sono profundo e roncavam bem alto, diferente dos moradores daquela casa que não tiravam os olhos dos animais desconjuntados logo ali a sua frente. Já de manhã, o velho questiona ao poderoso Deus se os animais voltariam mesmo. Thor tocou-lhes com o martelo e ambos voltaram à vida.

Todos se alegraram e bateram palmas, mas a felicidade durou por pouco tempo. Um dos bodes estava coxo. Thor bradou a sua ira e ameaçou matar toda a família, enquanto Loki abafava a sua risada. Os pais do jovem ajoelharam-se diante do Deus clamando por seu perdão, mas Thor estava relutante, até que o velho num ato de desespero pediu que Thor levasse o garoto como escravo.

A ira de Thor se desfez, aceitou o jovem, e assim Thialfi se tornou seu servo predileto.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Lenda de Cailleach, a Velha do Inverno

“Escutem, viajantes... quando o vento sopra do norte e a geada se deita sobre os telhados, não é o frio que chega primeiro — é Ela. A Velha do Inverno desperta de seu sono de pedra, e o mundo volta a se curvar diante do tempo.” Entre as montanhas enevoadas da Escócia e as terras antigas da Irlanda, ecoa o nome de uma deusa esquecida pelos homens, mas lembrada pela terra: Cailleach, a Velha do Inverno. Dizem que ela nasceu quando o primeiro trovão ressoou sobre o mundo, moldada do gelo e da rocha. De cabelos brancos como a neve e olhos azuis como o céu de dezembro, Cailleach é a senhora do frio e do tempo, guardiã dos ciclos que fazem a vida florescer e murchar. Com um martelo de pedra em mãos, moldou montanhas, cavou vales e abriu fendas nas rochas. Cada golpe seu fazia o vento soprar e as tempestades nascerem. Mas seu poder não é de destruição — é de renovação. Ela encerra o verão para que o novo possa nascer, apaga o fogo para que outro seja aceso. Há quem diga que Cailleach é o espe...

Filme - A Lenda (1985)

 “Entre luz e trevas, o coração humano decide o destino do mundo.” No coração de uma floresta antiga, onde o orvalho é mais puro que o tempo e o silêncio é cheio de vozes antigas, habita o espírito de A Lenda. Dirigido por Ridley Scott, o filme é uma fábula sombria e onírica — um daqueles raros portais que se abrem apenas aos que ainda acreditam em fadas, demônios e florestas encantadas. Jack (Tom Cruise, em um de seus primeiros papéis) é o jovem guardião da inocência, protetor dos últimos unicórnios — criaturas que mantêm a luz viva no mundo. Quando o Senhor das Trevas (Tim Curry, em uma das mais magníficas personificações do mal já vistas no cinema) trama o desaparecimento desses seres, o equilíbrio entre dia e noite se rompe, e o mundo mergulha em um inverno eterno. Mas A Lenda não é apenas uma história de heróis e monstros. É uma meditação sobre a pureza e a sombra dentro de cada um de nós. A jornada de Jack é a jornada da alma humana: o confronto inevitável com aquilo que teme...

O Mito de Prometeu

O Titã que Roubou o Fogo dos Deuses Nas montanhas silenciosas da antiga Tessália, o vento sopra como se ainda trouxesse o sussurro de um nome esquecido: Prometeu, o que prevê, o que ousou. Antes do homem, o mundo era um palco frio, iluminado apenas pelos caprichos dos deuses. As criaturas humanas rastejavam na sombra, presas à ignorância e ao medo, incapazes de dominar a natureza que as cercava. E foi então que o Titã, movido não pela rebeldia, mas pela compaixão, desceu do Olimpo e roubou o fogo sagrado de Hélio, escondendo-o dentro de um frágil caule de funcho. A chama que ele entregou aos homens era mais do que calor — era consciência. O fogo de Prometeu iluminou o raciocínio, acendeu o engenho, e com ele nasceu o primeiro lampejo do saber. Mas o dom trouxe também a inquietude: o poder de criar, de sonhar… e de destruir. Zeus, irado com tamanha insolência, ordenou que Prometeu fosse acorrentado ao monte Cáucaso, onde uma águia devoraria seu fígado todos os dias — e todas as noites e...